Sexta-feira, 26 de Novembro de 2010

Em defesa de Sarah Palin

Quem costuma ler o que escrevo sobre os Estados Unidos, principalmente no Era uma vez na América, saberá que não morro de amores por Sarah Palin. Ainda recentemente tive aqui no Cachimbo uma discussão saudável com a Maria João sobre os méritos ou deméritos da senhora. Mas nem tudo vale para “bater” em Palin.

Esta semana li num blogue americano que Palin teria dito que os “Estados Unidos devem permanecer ao lado dos seus aliados norte-coreanos”. Ia escrever qualquer coisa sobre o assunto, pois isso seria mais um argumento de peso para acrescentar ao penso sobre as suas capacidades políticas. Mas decidi ir ouvir primeiro o que ela realmente tinha dito, para escrever com segurança, como tento sempre fazer. E ao ouvir a entrevista dela desisti de escrever. E porquê? Palin estava a falar nos perigos que a Coreia do Norte representa para a região, repetindo a argumentação tipicamente republicana que é preciso impedir o regime de Pyongyang de obter armas nucleares e parar de ameaçar o vizinho do sul. Depois disse que a tal frase citada, que foi um óbvio erro verbal e não uma gaffe de proporções bíblicas, como tem sido repetido na imprensa europeia. Isto não muda nada o que penso de Palin, mas não é verdade que ela pensa que os aliados americanos são os norte-coreanos. Há muitos argumentos para criticar a senhora, mas não este. Lapsos deste género numa argumentação verbal todos cometemos.

Obviamente que Palin respondeu de forma bastante incisiva sobre este incidente e como foi relatado, e que nem foi muito explorado pela imprensa mainstream americana, ao contrário do que sucedeu por cá. Ontem numa mensagem no Facebook, Palin atacou Obama. E o que ela relembrou? Algumas da gaffes memoráveis do Presidente, bem mais graves do que esta. Os 57 estados americanos, a fundação da América há 20 séculos atrás, o estranho país chamado Europa ou a famosa língua austríaca. Tudo expressões utilizadas por Obama, mas que nunca ninguém refere.

Há de facto padrões diferentes para analisar os políticos americanos. Sarah Palin não tem condições, qualificações ou conhecimentos para ser Presidente dos Estados Unidos. Mas este tipo de enviesamento no tratamento que recebe só a fortalece, pois as pessoas não são estúpidas e percebem que há um exagero nas críticas que lhe fazem.

9 comentários:

Publius disse...

Passei precisamente pela mesma situação. Eu a pensar que tinha sido algo de verdadeiramente grave e quando fui ouvir com atenção não passava de uma gaffe, importante é certo, mas normal. No entanto também não me parece justo dizer que por causa disto existe um enorme desfasamento entre o tratamento que Palin recebe e a realidade ou as críticas que lhe são feitas.

Nuno Gouveia disse...

A maior parte das criticas que lhe fazem não são políticas. Desde que apareceu na cena nacional tem tido acusações injustas e falsas. Chegaram a inventar que um filho dela era da filha, invadiram a conta de email, com ampla cobertura da imprensa e é a política mais "perseguida" pela imprensa. Não digo que ela não provoque também a situação, mas acho que há de facto uma obsessão anti-Palin na imprensa.

Maria João Marques disse...

Nuno, ainda terminamos, caso Palin se candidate, comigo a torcer por Obama e tu apoiando Palin :)

Mas a sério, isso é o que eu digo: lá por não ser POTUS-quality, não quer dizer que Palin seja a burrinha que querem fazer crer. É uma mulher inteligente que poderá ter uma enorme influência no futuro do GOP - desde que não se candidate à presidência (ou, se se candidatar, se for para perder - mas os americanos não costumam gostar de jogar a feijões, pelo que não acredito que vença primárias).

Nuno Gouveia disse...

Maria João,
Acredito que ela se candidatar vai perder. Como dizes, os republicanos costumam apostar no "cavalo" que mais hipóteses tem de vencer. Neste ciclo eleitoral tivemos algumas primárias onde o resultado não foi esse, mas em todos os últimos ciclos presidenciais, o nomeado acabou por ser sempre o melhor colocado nas sondagens nacionais. Que dificilmente será Palin, dado os níveis de impopularidade que tem nos independentes.

Mats disse...

E ela vingou-se.

Anónimo disse...

Que tal esses exemplos de jornalismo "independente" Nuno Gouveia?

É o jornalismo manipulatório político que se faz.
A Monocultura que explica muito o Estado da Europa.



P.S: ainda não percebi porque é que Palin não é "POTUS material" e Obama é.


lucklucky

Nuno Gouveia disse...

Lucklucky,
A questão se Obama é ou não "POTUS material" não se coloca". Deixou de fazer sentido depois de ter sido eleito POTUS pelos americanos. A questão é saber se Palin tem capacidade para ser eleita, o que muito pouca gente acredita. E como saberá, não apenas no campo democrata, mas também dentro do próprio partido republicano.

Eu não falei no jornalismo independente, falei sim em todas as sondagens conhecidas que apontam para um nivel de aprovação extremamente baixo entre os independentes. Eleitores, diga-se, que são os que contam numas eleições.

FNV disse...

Óbvio. É ridículo como tipos que não sabem escrever gozam com lapsos de linguagem.

Anónimo disse...

"A questão se Obama é ou não "POTUS material" não se coloca". Deixou de fazer sentido depois de ter sido eleito POTUS pelos americanos."

Porquê, não se irá recandidatar em 2012?

"Eu não falei no jornalismo independente, falei sim em todas as sondagens conhecidas"

Culpa minha por não me ter explicado, referia-me a um outro texto seu onde mostrou comiseração pelo fim do jornalismo dito "independente".


lucklucky