Segunda-feira, 31 de Agosto de 2009
Democracia directa? Não, obrigado.
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Alexandre Homem Cristo
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18:53
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Ausência de limites
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Paulo Tunhas
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Ainda sobre as idiotices de Saramago e Caim
«A marca de Caim está estampada nos nossos rostos. Ao longo dos séculos, o nosso irmão Abel jazeu no sangue que lhe arrancámos, e chorou as lágrimas que lhe causámos por termos esquecido o Teu amor. Perdoa-nos, Senhor, pela maldição que falsamente atribuímos ao seu nome de judeus. Perdoa-nos por Te crucificarmos uma segunda vez na carne deles. Porque não sabíamos o que fazíamos.»
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Jorge Costa
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12:15
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Domingo, 30 de Agosto de 2009
O nível moral de Saramago e o seu entendimento do que é escrever
Quando o jornal israelita Ha'aretz lhe pediu que elaborasse sobre a comparação que acabava de fazer, a respeito das câmaras de gás disse Saramago: «Até agora não existem.» E explicou-se: como escritor era sua função fazer comparações emocionais para chocar as pessoas e fazê-las compreender.
A. B. Yehoshua, um escritor israelita (não traduzido entre entre nós, no que devemos ser únicos na Europa, uma vez que ele é tão aclamado com Amos Oz), com posições políticas situadas bem à esquerda, comentou: as declarações de Saramago são «um ultraje sem precedentes. Não se pode levar o que disse à conta da cegueira, porque a cegueira dele é intencional.»
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Jorge Costa
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14:15
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Uma singela homenagem à pulsão obreira do senhor primeiro-ministro
Vá, todos juntos, juntos conseguimos:
Wir fahr’n fahr’n fahr’n auf der Autobahn
Wir fahr’n fahr’n fahr’n auf der Autobahn...
[Von hier aus.]
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Carlos Botelho
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11:54
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Sofre de "Doença Igualitária"? Obviamente que Sim!
Hidden Persuader, nos bichos carpinteiros, a propósito de Carolina Patrocínio e das cretinas declarações desta sobre a forma como, supostamente, se relaciona com a sua "empregada", jura, ao contrário de outros, que não sofre de "doença igualitária" e que, por isso, se está "borrifando" para a eventualidade da "criada" da mandatária da juventude de Sócrates lhe lavar ou não os "pés" ou lhe colocar ou não "a frutinha na boca". A propósito de tamanha indiferença, resguardada no uso de um tom que roça o sarcasmo, gostaria de notar duas coisas. Em primeiro lugar, que caso a criada fosse o autor, um familiar ou um amigo do post o sentimento de indiferença era bem capaz de não existir. Em segundo lugar, que Hidden Persuader vive bem com o facto de por aí haver muita gente que para poder ganhar um salário se veja obrigada a lavar os pés ou a colocar a fruta na boca a quem tem, que se saiba, cabeça, tronco e membros em perfeito estado de funcionamento.
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Fernando Martins
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11:28
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Da servidão humana
Por esse motivo, pode parecer estranho que um livro escrito por uma mulher negra, sobre a vida de uma escrava e da sua luta para se reconstruir em liberdade, que decorre em meados do século XIX, seja talvez o mais próximo que os escritores americanos estiveram daquele grande romance. É o relato de uma experiência minoritária, sobre uma das páginas negras da história americana e, no entanto, Beloved ultrapassa claramente esses limites. Em vez da construção épica de um país, temos a história de Sethe, mulher, negra e escrava em fuga de uma plantação, Sweet Home, rumo à liberdade. Privado de desejos e vontade própria, o escravo não tinha autorização para se apegar aos seus porque nada lhe pertencia. O seu corpo, animalizado, brutalizado e violado, não lhe pertencia. Para não sofrer mais, o escravo nem sequer se podia afeiçoar aos filhos, porque “não valia a pena memorizar feições que nunca veria transformarem-se em adultas”, “assim protegíamo-nos e amávamos pouco”. Para o escravo, a liberdade era mais do que a carta de alforria, o soldo pago pelo suor do rosto, era “chegar a um lugar onde se podia amar tudo aquilo que se escolhesse - sem precisar da autorização para o desejo”. Quando Sethe se vê novamente sob a ameaça de perder o que conquistou com a fuga, recusa-se a aceitar que os filhos voltem para o lugar escuro de onde escaparam e degola a própria filha. E o que é mais chocante no sacrifício é a necessidade que subjaz ao acto aparentemente tresloucado. Tal como Abraão ouve a voz de Deus e não hesita em sacrificar o seu único filho, Sethe está disposta a matar os filhos para os poupar à não-vida da escravidão. O que parece loucura é, afinal, amor. Depois de conhecer a liberdade, Sethe não quer que os filhos sintam na pele a mesma árvore de carne viva que ela carrega às costas. A memória do sofrimento não se cinge às cicatrizes físicas. Beloved é também uma história de fantasmas que não se podem esquecer (o fantasma da criança morta assombra a casa de Sethe e encarna nessa criatura vinda de lado nenhum que se chama Beloved), de passados que não se podem exorcizar.
O Nobel que Toni Morrison recebeu deve-se sobretudo a este seu quinto romance, publicado em 1987. E o lugar de Beloved na galeria dos grandes romances americanos releva da sua ressonância bíblica, que lhe confere o carácter mítico, e do poder evocativo da tradição oral, que lhe garante a força telúrica e o enraizamento popular. É a história da libertação de um povo e do sangue derramado nesse caminho. É sobretudo a história de uma mulher e do seu êxodo particular rumo à Terra Prometida que cada ser humano livre traz no seu coração.
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Bruno Vieira Amaral
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Sábado, 29 de Agosto de 2009
Animais
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Bruno Vieira Amaral
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Parabéns à Maria João
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Pedro Picoito
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Sexta-feira, 28 de Agosto de 2009
Coscuvilhice de Estado
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Alexandre Homem Cristo
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Mas o que é que querem esconder?
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Paulo Marcelo
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É Saramago
Vai daí, a jornalista da EFE pergunta ao crânio se ele não teme «nova crucificação», análoga à que diz que teve quando publicou o seu «evangelho». Resposta: «Alguns talvez o façam, mas o espectáculo será menos interessante. Os católicos não lêem o Antigo Testamento. Se os judeus tiverem uma reacção, aí já não me supreendia. Mas não compreendo como é que o povo judeu fez deste o seu livro sagrado. É um conjunto de absurdos», etc., etc.
Este crânio ignora, pelos vistos, que o povo judeu não existe, historicamente falando, antes do Livro a que se refere; que o Livro é a sua «constituição»; que a frase dele faz tanto sentido como esta: «Não compreendo porque é que os cristãos fizeram dos Evangelhos livros sagrados». Ou esta: «Não compreendo porque é que os muçulmanos fizeram do Alcorão um livro sagrado». Talvez porque o seu conhecimento das coisas mais elementares sobre o Livro e os judeus lhe escape totalmente. O que não o impede de anunciar que vai escrever sobre elas. E isso é mau? É pior: é Saramago.
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Jorge Costa
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15:08
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Distinção

"Este Compromisso de Verdade, que aqui assumo pessoalmente em nome do PSD, distingue-se claramente dos habituais programas partidários.
Distingue-se, em primeiro lugar, porque de forma clara fazemos uma selecção de prioridades. O programa eleitoral do PSD não se apresenta como uma receita que pretende resolver todos os problemas do país ao mesmo tempo e que, indiscriminadamente, tudo promete a todos. Há que ter a coragem de definir as áreas de intervenção urgente e prioritária e de assumir que essas mobilizarão, à frente das restantes, os esforços de um Governo PSD. Assim, tomamos o compromisso de dar prioridade à economia, às questões sociais de solidariedade e saúde, à justiça, à educação e à segurança. Serão estes os cinco campos de intervenção urgente e preferencial de um Governo do PSD. Sabemos, por experiência, que os recursos são escassos e que não é possível fazer – fazer bem – tudo ao mesmo tempo. Sabemos, por conhecimento e em consciência, que a política é a arte da escolha e um exercício permanente de opção e selecção. Os projectos políticos também têm de ser julgados pela capacidade que têm de fazer opções e pelas opções que, substancialmente, fazem. Cabe agora aos portugueses julgar o mérito das opções feitas.
Distingue-se também este Programa, porque é sucinto e objectivo, não se refugiando em generalidades, prometendo tudo a todos. O ponto de honra – a verdadeira nota distintiva – é que todos os critérios definidos, todas as soluções propostas, todas as medidas avançadas são susceptíveis de ser executadas. Tudo o que é explicitado será rigorosamente cumprido. Por isso se trata, não de um programa feito por um conjunto de sábios, que já escreveram dezenas de programas de governo e que se limitaram ao “copy-paste” das versões anteriores, mas de um “Compromisso de Verdade”. Quem estiver à procura neste texto de “soluções mágicas”, “medidas-bandeira” ou “slogans de belo efeito”, vai procurar em vão. Um compromisso de verdade vive da consistência e da coerência interna, não do “panfletarismo fácil”. Com este compromisso, os portugueses sabem com o que podem contar. É um projecto cujo cumprimento e execução podem ser verificados página a página, parágrafo a parágrafo, linha a linha. Este programa deve ser julgado e apreciado também por isso: por esta fácil possibilidade de aferição e controlo externo.
(...) Não se trata, por isso, de um programa editado por um grupo de sábios, a pensar no marketing político, segundo o princípio da satisfação máxima da clientela eleitoral. Trata-se, pelo contrário, de um documento que, não só no seu conteúdo, mas também na sua elaboração, obedeceu a um escrupuloso respeito pelos cidadãos que seriam seus destinatários e pelo imperativo da verdade. Estamos convictos que, só por si, este Compromisso de Verdade contribui para restaurar os laços de lealdade e confiança com o eleitorado, com os cidadãos portugueses."
Manuela Ferreira Leite, no discurso de apresentação do programa eleitoral do PSD.
[Também aqui.]
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Carlos Botelho
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Mais poder e menor funcionalização dos juízes
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Manuel Pinheiro
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O programa do PSD para a Justiça
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Pedro Pestana Bastos
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10:32
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Liberdade, diz ela
Quero falar de uma coisa, na aparência, mas só na aparência, mais modesta. Das palavras de Manuela Ferreira Leite, ontem. E de uma palavra em particular: liberdade.
Há quanto tempo a palavra liberdade não entrava no discurso político como seu eixo fundamental?
Na recapitulação final do seu discurso, Manuela Ferreira Leite disse: «Um Estado que (...) que não se revê no dirigismo asfixiante de tudo o que é livre, de tudo o que mexe e agita. (...) Um Estado que seguirá, na melhor tradição das democracias ocidentais, a tradição da liberdade, da igualdade de oportunidades e da solidariedade».
Pode parecer estranho, muito estranho, mas para os que vaticinavam uma asfixia do espaço político e ideológico do PSD por intrusão de um Sócrates supostamente centrista o suficente para lhe retirar justificação, o mínimo que se pode dizer é que o obituário, ainda em moda há pouco tempo nas opiniões publicadas, foi um exagero.
A diferença, toda a diferença, está aí: na liberdade, como ela a diz.
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Jorge Costa
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Quinta-feira, 27 de Agosto de 2009
As lições do Simplex
Não estou aqui a proteger Paulo Rangel, não só porque ele não precisa que o protejam, como nem acho que a sua leitura de Maquiavel seja particularmente rigorosa. Mas gosto de ver o simplex Leonel Moura substituir a ignorância de Rangel pela sua tremenda erudição ao dizer que Maquiavel falou sobre a tirania, ao passo que hoje vivemos numa democracia. A chatice destes pensadores que andam nas bocas dos sábios dos nossos tempos é que dão trabalho a ler. Talvez o Leonel Moura não tivesse escrito este post se reparasse que na obra "O Príncipe", por exemplo, a palavra "tirania" não aparece uma única vez. Talvez lhe desse que pensar.
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Miguel Morgado
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O Burocrata Perfeito
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Manuel Pinheiro
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Programa Eleitoral do PSD
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Paulo Marcelo
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A tacada
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Pedro Pestana Bastos
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Quarta-feira, 26 de Agosto de 2009
Um grande discurso
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Alexandre Homem Cristo
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Bom dia
Fico a saber detalhes da história. Um jornalista sueco, Donald Boström, publicou há dias no tablóide Aftonbladet um artigo segundo o qual soldados das Forças de Defesa Israelitas andam a extrair órgãos de palestinianos.
O autor do artigo concede que não tem provas de qualquer das suas alegações, mas afirma que compete aos «judeus» e a Israel provarem que estão inocentes.
Primeiro calafrio. O libelo de sangue, medieval e velho, continua.
A primeira reação da embaixadora sueca em Israel, Elisabet Borsiin Bonnier, face à indignação com que a notícia do artigo foi acolhida no país, foi a de que ela «era tão chocante e horrorizante para nós suecos, quanto para os cidadãos israelitas. Partilhamos o desalento expresso pelos responsáveis governamentais israelitas, pela comunicação social e o público. A embaixada só pode distanciar-se inequivocamente disto... A liberdade de imprensa e a liberdade de expressão são liberdades que implicam uma certa responsabilidade.»
Não foi essa a opinião do ministro dos Negócios Estrangeiros, Carl Bildt, que deu ordens à sua embaixadora para se abster de quaisquer comentários sobre as virulentas acusações do Aftonbladet. Em contrapartida, ele comentou abundantemente, não as declarações do Aftonbladet, mas a reacção da sua embaixadora: «A embaixada em Tel Aviv reagiu em consonância com a opinião pública israelita, mas o governo sueco está comprometido com a liberdade de imprensa e expressão... O Ministério dos Negócios Estrangeirs teria agido de outra forma.» A liberdade de imprensa na suécia obriga o governo e os órgãos do Estado a absterem-se de criticar sinistras acusações do mais soez anti-semitismo que se pode imaginar?
Pelos vistos, sim. Per Gahrton, porta-voz do Partido Verde, na oposição, afirmou mesmo que Borsiin Bonnier precisava de ser relembrada dos princípios básicos da liberdade de expressão sueca.
O dia continua. Leio no Público o artigo de Irene Flunser Pimentel, «Lições do Holocausto?», contando-nos as reflexões que trouxe da sua recente visita à Polónia. Cita, em dado passo, Ian Kershaw: «O caminho para o Holocausto foi construído pelos criminosos nazis, mas foi pavimentado pela indiferença».
O dia começa mal. Vou fumar o um cigarro para ver se passa.
E desejo-vos um resto de bom dia.
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Jorge Costa
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Os debates e as televisões (ii) (alterado)
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Pedro Pestana Bastos
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Razão e Compaixão
O festival que se organizou na Líbia para receber tão ilustre terrorista é "abjecto", como "abjecta" é boa parte da "rua árabe" e o regime líbio que movem e comovem muita gente por este ocidente fora, tanto de esquerda como de direita, idealistas ou realistas. Mais "abjecto" foi o atentado e ainda o facto do ilustre terrorista nunca ter mostrado arrependimento. Por outro lado, sou solidário com os familiares das vítimas que se sentem revoltados com a libertação do homem e percebo a sua indignação.
Mas a verdade é que a compaixão e a inteligência, já para não falar no bom-senso, mostrados pela lei escocesa e pelo governo escocês devem prevalecer e ser sublinhados num momento como este: o terrorista sofre de uma doença terminal que não lhe garantirá mais do que três meses de vida e por isso pode e deve ser libertado para poder passar na sua terra, com familiares e amigos, os cerca de 100 dias de vida que lhe restarão. Manter o homem preso nestas condições seria, no meu modesto modo de ver, uma atitude ética e moralmente reprovável e que, ao menos neste caso particular, faria equivaler um governo e uma sociedade ocidentais aos terroristas que fizeram explodir um Boeing 747 sobre a Escócia. E isso penso que, do lado de cá, que é o nosso, Maria João, ninguém quer.
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Fernando Martins
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Terça-feira, 25 de Agosto de 2009
A patetice de Mário Soares
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Nuno Gouveia
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Vamos todos ser muito compreensivos e bonzinhos com os terroristas
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Maria João Marques
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Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009
Dr. Jekyll e o moço de recados
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Pedro Picoito
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Ouro fracturante
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Pedro Pestana Bastos
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19:34
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Os debates e as televisões.
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Pedro Pestana Bastos
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A terceira força
Embora ambicioso o objectivo parece possível. Na pré-campanha o CDS arrancou melhor e o seu discurso apresenta-se claro aos portugueses. Seja nas questões de segurança em que o discurso é perceptível e descomplexado, seja nas questões económicas em que a postura é a mais arejada na defesa nas PMEs e no estabelecimento de condições que favoreçam a mobilidade social, seja ainda na defesa da agricultura como meio de salvaguarda da coesão territorial.
Mas se em termos eleitorais a passagem a terceira força parece ao alcance do CDS, em termos políticos tal resultado não é indiferente. Num momento em que já ninguém acredita que PS ou PSD tenham uma maioria absoluta e em que mesmo MFL admite que terão de existir condições para governar em minoria, é muito importante o papel da terceira força no Parlamento. Dos três candidatos a terceira força só o CDS pode oferecer estabilidade e serviço, trabalho e credibilidade, alternativa e responsabilidade.
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Pedro Pestana Bastos
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15:13
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Bússola Eleitoral
Ainda antes do início da campanha eleitoral proponho um teste desenvolvido pelo ICS em parceria com a SIC Notícias. Simples e claro ajuda os eleitores a entender onde se situam no espectro político. São cerca de 25 perguntas e podem ser respondidas no site Bússola Eleitoral
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Joana Alarcão
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12:28
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Cuidado
Rabino Joseph Telushkin, in Jewish Literacy.
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Jorge Costa
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O "plano de saúde" de Barack Obama.
Independentemente de, no passado, esforços de uma reforma, ou revolução, no sistema de saúde norte-americano terem provocado várias vítimas políticas (a última foi a senhora Clinton), hoje é possível ter a certeza de três coisas sobre as intenções de Obama. A primeira é que não sabemos, e ele também não sabe, se haverá um novo "plano de saúde" para todos os norte-americanos e, se vier a haver, de que tipo de plano se tratará. A segunda, é que o "plano" está a produzir uma acelerada erosão nas taxas de aprovação do presidente, facto que, embora possa vir a ser invertido, tem e terá grandes custos políticos para Obama e para o Partido Democrático. Terceira e última: as questões internas comandam, como quase sempre, a política norte-americana o que, num mundo perigoso como aquele em que vivemos, não nos pode nem deve deixar descansados. Aliás, para pagar um qualquer plano de saúde que se aproxime daquilo que Obama tem prometido, o Estado norte-americano terá de reduzir nos gastos com a tropa. E isso, como é óbvio, é um péssima notícia para o mundo. A não ser que, claro está, os europeus passem as gastar menos nos seus sistemas de saúde públicos e mais com as respectivas forças armadas.
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Fernando Martins
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02:57
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O novo oportunista
Cada uma destas cerimónias (na verdade, sessões de propaganda em campanha eleitoral de facto) é sempre mais uma "nova oportunidade" para um Sócrates omnipresente mostrar serviço. Nestes "acontecimentos", as pessoas que vão, agradecidas, receber o computador, não são mais do que figurantes numa teatrada em que o primeiro-ministro é o actor principal. Ele está ali representando o seu papel e aqueles "alunos" passam pelo palco com um estatuto semelhante ao dos cenários: contribuem para o brilho do primeiro-ministro, compõem a cena - é só para isso que lá estão. Ou melhor, que os põem lá. Pior que figurantes, são meros instrumentos da propaganda de Sócrates.
Não é por acaso (nada disto é por acaso...) que o contemplado com o milionésimo portátil é um aluno das Novas Oportunidades - uma das jóias (falsas) da coroa da governação Sócrates. Ora, é o próprio aluno a "oportunidade" de que o primeiro-ministro se serve para fazer mais um dos seus video-números. Devia haver pudor em se servir de pessoas que estarão genuinamente satisfeitas e gratas pelo que conseguiram (se estão a ser ludribiadas, isso é outra história...). Mas não. Para este nosso primeiro-ministro, só a imagem conta - não o que haja de real por detrás dela.
Neste tipo de coisas, Sócrates tem, muitas vezes, ajudas provavelmente menos inconscientes do que os figurantes ingénuos. Vemos, assim, a solicitude tão sorridente do "rosto" principal da PT e a colaboração sempre competente da RTP, que até foi buscar as imagens de propaganda da e-escola e do fetiche Magalhães (pelo menos, houve o pudor de não mostrarem a criancinha que dizia 'o Magalhães é o meu melhor amigo'...)
E que dizer do "conteúdo" da arenga do primeiro-ministro? Para lá do tom quase choramingas sobre as "incompreensões", "críticas" e outras inexplicáveis malfeitorias (depreende-se que dos "pessimistas" e "bota-abaixistas"), disse e redisse o que estava escrito pelos vários cenários portáteis dispostos atrás de si (e que a tv, simpática, lá ia mostrando): 'um milhão de computadores, um milhão de computadores!'. No pensamento primitivo, crê-se que a insistência nas palavras mágicas acaba por operar alterações na realidade. Este primeiro-ministro parece acreditar que é despejando computadores de qualquer maneira para cima de um país, que este entra na "modernidade", como ele diz. Poderá não ser primitivo, mas é provinciano.
[Também aqui.]
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Carlos Botelho
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Lixo
Alguém parece querer transformar o 31 da Armada num vazadouro.
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Carlos Botelho
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01:41
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Domingo, 23 de Agosto de 2009
Ser-se paciente
Uma das desvantagens da teia de blogs é ter-se que aturar estes zumbidos.
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Carlos Botelho
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23:01
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Martin Luther King sobre o anti-semitismo
De Martin Luther King, Jr., «Letter to an Anti-Zionist Friend», Saturday Review XLVII (Agosto de 1967), p. 76.
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Jorge Costa
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15:06
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À Atenção do Bloco de Esquerda
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Fernando Martins
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11:20
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Há setenta anos I
Da esquerda para a direita, atrás: Schulze (ajudante de Ribbentrop), Schaposchnikow (Chefe do Estado-Maior General do Exército Vermelho), Ribbentrop, Stalin e Pavlov (tradutor soviético); à frente: Hilger (tradutor alemão) e Molotov.
O anexo secreto do Pacto de Não-Agressão (texto completo e reprodução), que expunha a "delimitação das esferas de interesse na Europa de Leste" do Reich e da URSS: "no caso de uma reorganização político-territorial" dos quatro estados bálticos, a fronteira norte da Lituânia "constituirá simultaneamente a fronteira dos interesses" das duas potências signatárias; "no caso de uma reorganização político-territorial dos territórios pertencentes ao estado polaco", as "esferas de interesse da Alemanha e da URSS são delimitadas pela linha dos rios Pisa, Narew, Vístula e San"; a "questão" de ser "desejável para os respectivos interesses a conservação de um estado polaco independente" só será esclarecida "no decurso de ulterior evolução política"; e acrescenta: "em todo o caso, ambos os governos resolverão esta questão no decurso de um entendimento amigável"; relativamente à Europa de Sudeste, fica reconhecido pelo Reich "o interesse do lado soviético" pela região da Bessarábia, pertencente à Roménia.
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Carlos Botelho
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07:00
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Etiquetas: Setenta anos
Sábado, 22 de Agosto de 2009
País de Merda
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Miguel Morgado
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Pink Floyd: "Another Brick in the Wall part 2 (Live)"
Gravado a 9 de Agosto de 1980.
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Fernando Martins
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Tudo claro, claríssimo
Publicada por
Maria João Marques
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Sexta-feira, 21 de Agosto de 2009
As expectativas sobre o programa do PSD
O caminho que Portugal tem seguido nos últimos anos não serve os nossos interesses. Por muita propaganda que nos tentem impingir todos os dias, a realidade é que o governo Sócrates, ao contrário do prometido em 2005, não conseguiu inverter o atraso estrutural do país. O PSD deverá assumir no seu programa de governo uma visão alternativa e que contenha as premissas básicas do que será a base da sua actuação. Uma mensagem de optimismo, apesar das diversidades, e uma direcção que possa corrigir os defeitos estruturais que Portugal enfrenta.
O programa do PSD deverá elucidar os portugueses do que o separa do PS, seja nos pressupostos essenciais da acção politica, na própria forma de fazer politica ou na estratégia para os sectores fundamentais da governação. Como dizia na semana passada Medina Carreira, não é preciso cento e tal páginas de “baboseiras” e demagogia, com metas e propostas inatingíveis ou falseadas (o programa do PS). Se o PSD conseguir apresentar um programa conciso e claro, que aponte um caminho claro e alternativo, estou certo que poderá convencer muitos dos indecisos que ainda persistem. Felizmente os indicadores que tenho é que isso será alcançado. Na próxima semana já poderemos falar com dados concretos.
Também aqui.
Publicada por
Nuno Gouveia
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15:58
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A Seguir Com Muita Atenção e Curiosidade q.b.
O futuro dirá se Beto conseguirá corresponder às expectativas que são muitas. Mas para já, trata-se de uma das mais importantes contratações da SAD dos "Belenenses" para a época futebolística de 2009-2010. Alguns detalhes do negócio aqui.
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Fernando Martins
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14:53
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“ Recriações” de Luanda / um olhar optimista
No aeroporto esperava encontrar muita gente a querer carregar a bagagem e a dar indicações. Mas o Campeonato Africano das Nações trouxe uma “brisa” de mudança ao edifício e em poucos meses os “chineses” organizaram um estaleiro e remodelaram parcialmente o aeroporto. Já na cidade o primeiro grande marco que literalmente “arranha” o céu foi construído por soviéticos e serve de túmulo a Agostinho Neto. O chamado “foguetão de betão”, em formato pontiagudo, parece demasiado grande para ser real.
Luanda é uma cidade cheia de “altos” e “baixos”, onde prédios modernos convivem lado a lado com antigas casas senhoriais. Na entrada da Assembleia Nacional a Guarda enverga um traje oficial colorido. Na mesma avenida avisto um dos loucos de Luanda que passam o dia a vaguear pela cidade lembrando-nos que a malária maltrata os cérebros e os desliga deste mundo. Na baixa, edifícios antigos foram restaurados e classificados como Património Nacional. Em muitas das avenidas principais novos projectos prometem trazer o futuro à cidade. Volto ao centro e marco uma consulta no Hospital Pediátrico David Bernardino. Demoro ainda uns minutos na entrada a admirar a sua estrutura moderna.
Esta é uma cidade que merece ser vivida, uma cidade que transpira a vontade de concretizar. Entre as filas de trânsito parado, jovens de diferentes estaturas vendem A Bola, o Jornal de Angola, lanternas, cordas, pilhas, todo o tipo de objectos utilitários. Aproveito para comprar pêra abacate que me é entregue num saco com a cara do Obama. Pena o excesso de carros, o trânsito, o lixo, mas tudo aconteceu demasiado rápido. E o “medo” de andar nas ruas, de usufruir do espaço, de circular livremente, também impede uma vivência mais harmoniosa da cidade.
Ao largo, no mar, dezenas de cargueiros impedem uma vista desafogada do horizonte. A cidade consome, tem de consumir. Ao porto chegam diariamente milhares de mercadorias. Anoitece em Luanda e na “ilha” admiro o reflexo da cidade no mar sereno da baía.
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Joana Alarcão
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12:58
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Se não fosse sinistro...
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Jorge Costa
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A Entrevista de Manuela Ferreira Leite
Publicada por
Fernando Martins
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00:36
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Quinta-feira, 20 de Agosto de 2009
Os países que acolhem bem os terroristas já devem ser uns países malvados
Publicada por
Maria João Marques
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23:59
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Mensagens e Mensageiros
Publicada por
Fernando Martins
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15:10
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É óbvio...
Publicada por
Jorge Costa
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12:43
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Quarta-feira, 19 de Agosto de 2009
Caldeirada de verão com todos
Vídeo para animar o verão político nacional.
Publicada por
Paulo Marcelo
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Terça-feira, 18 de Agosto de 2009
Retrato do judeu na literatura do Renascimento português
Vou falar – e transcrever parte – de um poema recolhido no Cancioneiro Geral de Garcia Resende. É notável a vários títulos. Não se trata propriamente de uma boa obra literária, mas de um documento que impressiona, pelo que revela ou indicia dos contornos da presença judaica em Portugal, antes da conversão forçada de 1497.
O nome do autor, Luís Henriques, vai no título do poema, que transcrevo a partir da edição do Cancioneiro, da INCM. Das letras, sou apenas um amador, de modo que quem puder corrigir ou melhorar a minha modesta leitura, recebe desde já o meu agradecimento.
Em primeiro lugar, o poema é virtualmente ilegível, hoje, dada a enorme quantidade de hebraísmos usados. Nas estrofes que transcrevo, nada menos de 20, se bem contei. Seria assim tão fácil ao leitor dos últimos cinquenta anos do século XV ler e compreender tantos vocábulos hebraicos, ligados às práticas religiosas da minoria? O autor faz rimar berakha (bênção), com minkha (serviço religioso da tarde) e shabba[t], com uma tal naturalidade, que é legítimo considerarmos uma resposta afirmativa à pergunta.
A abundância de hebraísmos é tão conspícua como o amplo conhecimento que o poeta tem da vida judaica: hábitos familiares, como o comportamento do casal durante o período menstrual da mulher, hábitos alimentares, liturgia, etc. É evidente que Luís Henriques não é judeu, nem converso. E é isso que torna o seu conhecimento verdadeiramente surpreendente.
Em segundo lugar, o poema é um repositório dos estereótipos anti-semitas, interessantíssimo para se poder compreender a mentalidade da época. Não há nada de anacrónico no uso que acabo de fazer do termo anti-semita. Trata-se, com efeito, de estereótipos predominantemente raciais, onde a abjecção do judeu se prende muito mais com as suas «características naturais», «físicas», ou «étnicas», «morais», do que com a sua danação teológica.
O poema é, na sua primeira parte, até à nona estrofe (numeração minha, e não do editor, para facilitar esta pequena introdução), uma longa lamentação/imprecação contra Catarina, que se deixou seduzir por um judeu, em desfavor do poeta/sujeito da elocução, cristão.
Leia-se, em particular, com atenção, a caracterização do judeu nas estrofes oitava e nona, onde ele é descrito como tendo «nariz de rolha», «fanado» (quer dizer, mutilado, numa alusão à circuncisão), mas de «gentil forgicar» (um animal sexual), vigarista, feio, muito feio, de «ruim sembrante», «desmazelado», e, claro, pouco sincero na sua conversão. Numa estrofe que não reproduzi, a quinta, o judeu, em suma, «fede».
Apesar da traição, o poeta aceita que perdeu o seu amor, e resolve dar conselhos a Catarina, da décima estrofe em diante, sobre como se deve comportar com o judeu: agora que «sois casada», «ò menos i avisada».
Na décima sétima, e última, estrofe, compreende-se, enfim, que a resignação é aparente. De facto, a vingança vai levar a melhor. A traição de Catarina ter-lhe-á saído cara: o poeta «castra» o judeu, ou melhor, dá-lhe a nova, «com que moiras [morras] de pesar, de grande dor e cuidado» – «vosso bem não tem bezis [testículos]».
O antagonismo entre a minoria e a maioria é, pois, aqui encenado como rivalidade sexual. Está muito longe, este facto, de poder ser considerado uma idiossincrasia de Luís Henriques. Grande parte da legislação medieval visava punir qualquer hipótese de contacto entre cristãs e esses seres de «gentil forgicar/pel’arte dos seus parentes»: os judeus, como os caracteriza o poeta.
Para tornar possível a leitura deste longo poema, cortei, na transcrição que faço, sete estrofes. A seguir a cada uma, identifico os hebraísmos e arcaísmos mais decisivos e difíceis, e tento decifrá-los, com ajuda, quase sempre, do útil dicionário, que constitui o VI volume da edição da INCM. Não adopto algumas das lições nele contidas, por me parecerem erradas. E adopto outras. Divirtam-se. Se puderem.
DE LUIZ ANRIQUES A UA MOÇA COM/QUE ANDAVA D’AMORES, ANTES DE/SE OS JUDEUS TORNAREM CRIS-/TÃAOS, E U JUDEU CASADO/E ALFAIATE, A QUE ELA/QUERIA BIEN, O FEZ/TORNAR CRISTÃO/E CASOU COM/ELE.
(i) Vós que naceste má hora,
vós que nela vivereis,
nom menos acabareis,
pois sois de Jamila nora.
Vós que achastes dentro ou fora
esse mazal que tomastes
de que, guai, vos contentastes,
em fort’hora
vos dei nome de senhora!
[Jamila: nome de origem arábica, mas bastante comum entre as judias medievas; testemunho da época anterior à «reconquista», onde as culturas dos povos das três religiões se influenciaram profundamente entre si; mazal: hebraísmo, sinónimo de sorte, neste caso, partido; guai: exclamação equivalente a «Ai!», muito típica do linguajar dos judeus lusófonos medievais, como se pode ver em Gil Vicente, por exemplo; forte: sentido arcaico, mau, má, quer dizer, neste caso, «má hora»]
(ii) Qu’achaste ò ahanim
que vos assi namorou?
Rezar bem o Tafalim,
ou com que vos çacabou?
Em jurar por minha lei,
ou polos dez mandamentos,
ou dizer: - Viva El-Rei!
em seus estrevançamentos?
[Ahanim: hebraísmo, pobre, neste caso com sentido pejorativo de «desgraçado»; tafalim: hebraísmo, tefilin, os filactérios usados diariamente pelos judeus na oração, de costume, matinal; na última estrofe aparecerá a expressão jurar «nuus tafelis»; çacabou, hebraísmo, de çacabar, enredar, prender na rede; estrevançamentos: arcaísmo, atrevimentos]
(iii) Em rezar o baraha,
ou de que foste contente?
Ou em ser mui diligente
quando vão à minaha?
Em guardar bem o sabá,
ou cheirar-vos à defina?
Como foste tão mofina,
Katerina,
sobre serdes muito maa?
[Baraha: hebraísmo, berakha, bênção; minaha: hebraísmo, minkha, serviço religioso da tarde; sabá: hebraísmo, shabbat; é curioso notar que o verbo usado é guardar, tradução literal da expressão hebraica apropriada: shomer shabbat, guardar o shabbat, isto é, observá-lo; defina: hebraísmo de origem aramaica, com que se designava o cozido das refeições do shabbat, ao tempo dos judeus medievais portugueses; mofina: arcaísmo que quer dizer desdita, desditosa, quando adjectivo, aqui com o sentido pejorativo de «desgraçada», por exemplo]
(iv) Pareceu-vos bem cadoz
ouvindo-lhe alguu dia,
ou por ventura seria
por quebrar co outro avoz?
Ou vos namorou sa voz
em cantando na sinagoga?
Quem vos visse numa soga
a cea voga
açoutar daqui tee coz!
[Cadoz: hebraísmo, kadosh, santo; avoz: indecifrável; soga: arcaísmo: correia; nota: os últimos três versos são de leitura muito difícil; talvez se trate aqui do lançamento de uma maldição, envolvendo açoite]
Passo as três estrofes seguintes: o poeta a seguir blasfema, e depois acusa Catarina de se ter deixado arrastar pelas investidas do judeu, com ofertas de fruta e bons manjares. E prossegue na oitava estrofe:
(viii) Ora volvamos-lh’a folha
achá-lo-ês bem galante,
ele tem nariz de rolha
sobre ter ruim sembrante.
É uu pouco ajudengado,
no falar e no trazer,
é também cercuuncidado
quer fanado,
como folgaste saber.
[Fanado: arcaísmo, cortado, mutilado... Referência à circuncisão]
(ix) Tem u gentil forgicar
pel’arte dos seus parentes,
tem lá outro embolar
e jogueta de bulrar
sem lhe cairem os dentes.
É crespo, refoucinhado
que lhe descobre a orelha,
é um pouco acogombrado,
desmazelado,
e depois é uma ovelha.
[Forgicar: arcaísmo, fornicar; embolar: arcaísmo: iludir, enganar; jogueta: arcaísmo, de joguetear, gracejar, fazer jogos de espírito; bulrar: arcaísmo, burlar; refoucinhado: arcaísmo, sinónimo de encrespado, encarapinhado; acogombrado: arcaísmo, que tem feição de pepino (?)]
(x) Pois vos o deemo tomou
a seguirdes tal errada,
co conselho que vos dou
ò menos i avisada.
E pois que já sois casada,
sabei seguir esta via:
que os que vêm da lei cansada,
par Deus, nam lhes pesa nada,
jurá-lo-ia,
com cousas da judaria.
[Lei cansada: expressão sinónima de Lei Velha, Judaísmo, no jargão cristão da época; par Deus: interjeição – Por Deus!; pesa: de causar pesar, dor, mágoa, arrependimento]
Seguem-se, ao longo de quatro estrofes, uma série de sugestões culinárias, um riquíssimo repertório dos hábitos gastronómicos na judiaria portuguesa. E depois:
(xv) Quando com vossa camisa
andardes, terês aviso,
nem façais daquesto riso,
gradecei quem vos avisa:
com ele vos nam jareis
mes passados sete dias,
e tavilaa vós fareis
e dormireis
co parente das judias.
[Camisa: arcaísmo, menstruação; jareis: conjugação arcaica do verbo jazer, com sentido de ficar com, estar ao lado de, dormir com; mes: eu leio mas; tavilaa: hebraísmo, tevilah, banho ritual judaico, que todas as mulheres fazem sete dias após o fim da menstruação, antes de voltarem à plena vida conjugal]
(xvi) Quando vieer ò comer,
que for ò partir o pam,
dir-vos-á u oraçam,
sabê-lhe vós responder:
- Baru ata Adonai Eloeno
sam as palavras que ele diz.
- Amoci leha minariz,
lhe responderês, e peno,
pois meu bem foi tam pequeno.
[Esta é sem dúvida a estrofe mais densa de hebraísmos; o poeta ensina Catarina a participar na Bênção do Pão, que os judeus fazem sempre antes de comer o alimento que, na tradição judaica, tem o mais elevado valor religioso simbólico, ao lado do vinho. A Bênção, na sua transliteração moderna diz: Barukh atá Ad-nai (Bendito sejas Tu, Deus), Elo-eno melekh haOlam (Nosso Senhor, Rei do Universo), Hamotzi lekhem (que fazes com que o pão surja) Min haAretz (da Terra). Todas as palavras da Bênção do Pão são reconhecíveis, com ligeiras transformações, no poema]
(xvii) Depois do conselho dado
e nova vos quero dar
com que moiras de pesar,
de grande dor e cuidado:
vosso bem não tem bezis,
que sam companhões, em habraico,
jurou-me nuns tafelis
u laa do povo judaico.
[Moiras: forma arcaica de «morras»; Bezis, companhões: a primeira forma é um hebraísmo, como o próprio poema indica – quer dizer testículos]
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Jorge Costa
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Importam-se de explicar o que se passa?
Então existe a dúvida sobre se os serviços da Presidência estão sob escuta e se os assessores de Cavaco Silva estão a ser vigiados e esta suspeição é qualificada pelo Primeiro-Ministro de Portugal como um disparate de Verão? Muito mal vai a nossa democracia quando os assuntos de Estado desta gravidade são tratados pelo Primeiro-Ministro com esta ligeireza. É urgente um esclarecimento. Ou então outras consequências políticas. Que venham depressa as eleições legislativas que o clima político começa a ficar doentio e insustentável.
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Paulo Marcelo
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O «i»
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Jorge Costa
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Imagens de campanha
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Nuno Gouveia
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Segunda-feira, 17 de Agosto de 2009
Iliteracia económica à solta
Parece que o senhor primeiro-ministro entrou em delírio aos 0,3. É óbvio que os dados da tendência não fazem notícia. A coisa vem de longe, de muito longe, de há muito tempo, e é indigerível pelo discurso político, muito mais em período eleitoral, onde a demagogia assume proporções grotescas. Que fazer?
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Jorge Costa
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23:17
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Imaginem
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Pedro Pestana Bastos
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Alentejo (12)
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Alexandre Homem Cristo
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