Vai sendo hábito: sempre que é necessário castigar Israel, o Governo português oferece os seus préstimos.
O último episódio está hoje a decorrer, numa reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros, em Bruxelas.
A Suécia, antes de abandonar a Presidência, quis deixar uma marca. Decidiu propor aos pares uma iniciativa, em que se toma posição face ao conflito israelo-árabe. Já dei todas as voltas à cabeça para tentar perceber porquê a iniciativa, porquê naqueles termos - inclui a expressão do desejo europeu de reconhecer Jerusalém Oriental como capital de um futuro Estado palestiniano, ou seja, inclui a manifestação do desejo de ver a cidade de novo dividida -, mas não consigo vislumbrar bem a coisa.
Contribui para fazer avançar, ou melhor, relançar um processo de paz? Obviamente que não. Na forma em que foi proposta pela Suécia, a iniciativa, no seu ponto quinto, «toma nota da decisão recente do Governo de Israel de congelar parcial e temporariamente a construção de colonatos e exprime a esperança de que este venha a ser um passo em direcção à retomada de negociações significativas» (o europês diplomático é das línguas mais bacocas que existem.)
Nenhuma referência é feita à rejeição da moratória, por insignificante, por parte da Autoridade Palestiniana, até ao seu anúncio considerada, pela mesma Autoridade Palestiniana, como condição para o lançamento das ditas negociações.
Em contrapartida, a iniciativa abunda em exortações ao que Israel deve fazer, ou não fazer, para que as negociações avancem, em direcção à criação de um Estado Palestiniano, que a UE afirma querer reconhecer, mesmo antes de estar negociado, e estabelecidos os seus contornos.
É evidente que, se a proposta vier a ser aprovada nos termos em que está redigida, terá como única consequência tangível o afastamento definitivo da «Europa» (o que quer que seja que isso queira dizer, sempre que questões diplomáticas importantes estão em jogo) do processo de paz, dada a sua posição completamente viciada a favor de uma das partes do conflito e de afrontamento da outra.
Por esse resultado heróico, está a bater-se Portugal, ao lado da Irlanda, Luxemburgo, Bélgica e Reino Unido, contra o bloco liderado pela Alemanha, França, Itália, Holanda e Espanha (que vai receber a próxima presidência).
Mas talvez que tudo se explique melhor - o mistério da iniciativa, atrás referido -, se se considerar o seguinte: a irresponsabilidade política é um dos privilégios dos insignificantes. Talvez o único. Que a «Europa» esteja «dispensada», no caso do conflito do Médio-Oriente, não será consequência desta iniciativa: ela, a iniciativa, é que só pode ser explicada pela insignificância da «Europa», já irreversivelmente interiorizada. Palavras (e papéis) levam-nas o vento...
A Suécia, antes de abandonar a Presidência, quis deixar uma marca. Decidiu propor aos pares uma iniciativa, em que se toma posição face ao conflito israelo-árabe. Já dei todas as voltas à cabeça para tentar perceber porquê a iniciativa, porquê naqueles termos - inclui a expressão do desejo europeu de reconhecer Jerusalém Oriental como capital de um futuro Estado palestiniano, ou seja, inclui a manifestação do desejo de ver a cidade de novo dividida -, mas não consigo vislumbrar bem a coisa.
Contribui para fazer avançar, ou melhor, relançar um processo de paz? Obviamente que não. Na forma em que foi proposta pela Suécia, a iniciativa, no seu ponto quinto, «toma nota da decisão recente do Governo de Israel de congelar parcial e temporariamente a construção de colonatos e exprime a esperança de que este venha a ser um passo em direcção à retomada de negociações significativas» (o europês diplomático é das línguas mais bacocas que existem.)
Nenhuma referência é feita à rejeição da moratória, por insignificante, por parte da Autoridade Palestiniana, até ao seu anúncio considerada, pela mesma Autoridade Palestiniana, como condição para o lançamento das ditas negociações.
Em contrapartida, a iniciativa abunda em exortações ao que Israel deve fazer, ou não fazer, para que as negociações avancem, em direcção à criação de um Estado Palestiniano, que a UE afirma querer reconhecer, mesmo antes de estar negociado, e estabelecidos os seus contornos.
É evidente que, se a proposta vier a ser aprovada nos termos em que está redigida, terá como única consequência tangível o afastamento definitivo da «Europa» (o que quer que seja que isso queira dizer, sempre que questões diplomáticas importantes estão em jogo) do processo de paz, dada a sua posição completamente viciada a favor de uma das partes do conflito e de afrontamento da outra.
Por esse resultado heróico, está a bater-se Portugal, ao lado da Irlanda, Luxemburgo, Bélgica e Reino Unido, contra o bloco liderado pela Alemanha, França, Itália, Holanda e Espanha (que vai receber a próxima presidência).
Mas talvez que tudo se explique melhor - o mistério da iniciativa, atrás referido -, se se considerar o seguinte: a irresponsabilidade política é um dos privilégios dos insignificantes. Talvez o único. Que a «Europa» esteja «dispensada», no caso do conflito do Médio-Oriente, não será consequência desta iniciativa: ela, a iniciativa, é que só pode ser explicada pela insignificância da «Europa», já irreversivelmente interiorizada. Palavras (e papéis) levam-nas o vento...


11 comentários:
Algum dia Israel vai ter que devolver o que roubou na Palestina.
«UE diz que Jerusalém deve ser futura capital de dois estados (JN)
Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia defenderam em Bruxelas que Jerusalém deve ser "a futura capital de dois estados", tendo encontrado uma fórmula de compromisso depois de uma controvérsia com o Estado hebreu.»
Bravo!
Jerusalém é a capital una e indivisível de Israel. Basta o roubo de Gaza, da Cisjordânia e do muito território Judeu que Israel não manteve depois de ser atacado cobardemente por um exército 10 vezes maior.
Viva Israel, viva a Democracia, viva Liberdade. Abaixo os Nazo-Hamas-Hezzbola
Os colonatos israelitas na Palestina são a manutenção perpetrada de crime hediondo.
Não menos grave é o vergonhoso roubo da água do Jordão por parte de Israel.
E disso se penitenciam os judeus de sempre de Mea Shearim, que se erguem como a má consciência de Israel, ao não trocarem Deus pela corrupção do mundo que envenena Israel.
Mas este Amado será de origem árabe?!...
Calma, Nurit! Não te desgraçes!
Não vês que é também um dos meus filhos?!
Israel roubou descaradamente aquilo que não lhe pertencia, matou milhares de inocentes e expulsou os restantes das suas terras, que ocupavam desde o ano 612 d.c.
é idiótica a ideia da criação de um estado unicamente judeu, ainda por cima à custa de crimes horrendos como os que comete.
é o mesmo que agora todos os cristãos quererem uma pátria unicamente crsitã ou os mouros se lembrarem e invadirem Portugal para reclamar o território que ocupavam antes de Afonso Henriques o ter conquistado.
O estridente anónimo aqui em cima confunde as coisas: o Estado judaico de Israel é um Estado onde todos os muçulmanos israelitas, ou cidadãos de quaisquer outras confissões, têm absoluta liberdade de confissão, além das liberdades cívicas que têm quaisquer cidadãos de um democracia. O Estado judaico é uma democracia tão liberal como a Dinamarca, a Noruega ou o Reino Unido, estados com uma matriz confessional oficial.
Abaixo os crimes hediondos dos Hamas e Hezzbolaths que se matam uns aos outros, enforcam homossexuais, apedrejam mulheres, estupram crianças e as culpam para se explodir, roubam a ajuda humanitária, escravizam a população. Sim a Israel e a Jerusalem eterna e Judaica desde antes de Cristo: não à ocupação de terras judaicas pelo Irão. Mais colunatos, mais progresso e mais integração voluntária dos palestinianos pois é a única via de terem vida decente. Palestina é na Jordânia: quem quiser vá para lá. Shalom ..VIVA ISRAEL
Bolas, escolheste uma foto em que o homem aparece mesmo com cara de mouro. Foi de propósito?
Jorge Costa o bombeiro de Israel!
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