Sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

Referendo ao casamento gay

(O assunto é o casamento gay e Bacelar Gouveia é o autor do artigo que saiu hoje no Público, “Casamento gay: nas costas dos portugueses?”)

"Mas o que é mais extraordinário é que, tendo como principal argumento o facto do assunto não ser prioritário, o senhor Bacelar Gouveia, que acha que os deputados não têm legitimidade para cumprir o programa com o qual foram eleitos há dois meses, propõe a realização de um referendo. Ou seja, propõe que o país se mobilize todo para um tema que ele próprio acha, por causa da crise económica, secundário." Daniel Oliveira no Arrastão

Ou seja, o Daniel Oliveira, que acha o assunto prioritário, considera que o Bacelar Gouveia, que não acha o assunto prioritário, é incoerente quando propõe a mobilização do País em torno do assunto. Bem vistas as coisas, então, seguindo a mesma forma sofística de pouco alcance, o Daniel Oliveira, que acha o assunto prioritário, é contraditório quando negligencia a mobilização do País em torno dele.

Por outro lado, o Daniel Oliveira mente quando escreve que “o senhor Bacelar Gouveia, que acha que os deputados não têm legitimidade para cumprir o programa com o qual foram eleitos há dois meses….” Na verdade, no artigo do Público, Bacelar Gouveia escreve “sem obviamente questionar a legitimidade do órgão legislativo parlamentar…”, acrescentando de seguida “esta é uma das típicas decisões que numa democracia plena como a portuguesa só podem ser tomadas pelos portugueses em referendo nacional”. É evidente que o “só podem” aqui tem de ser entendido, não como uma deslegitimação do Parlamento, mas antes, e dada a natureza do assunto, como uma subalternização do Parlamento, entendido como conjunto de representantes ligados a partidos, em favor dos portugueses, cada um deles considerado na sua individualidade e posição face ao assunto.

Toda a oportunidade do argumento aparece de forma muito transparente quando Bacelar Gouveia chama a atenção para o facto de que, neste assunto e outros de natureza semelhante, os deputados têm liberdade de voto, podendo votar contra quando o seu Partido se manifesta a favor e vice-versa. Quem é que não percebe o motivo e alcance disto?

Aliás, precisamente porque o assunto não é uma prioridade, muitos eleitores votaram PS apesar do casamento gay e não por causa dele.

Prioridade ou não, o casamento gay é um assunto sério, com implicações sociais relevantes. Os apologistas do casamento gay, dentro do PS e do BE, não querem que os portugueses se pronunciem sobre o assunto porque temem que a maioria seja contrária à lei que o possibilite. O fervor com que pretendem aprovar o casamento gay “nas costas dos portugueses”, como sugere o título escolhido por Bacelar Gouveia, é directamente proporcional à suspeita que têm de que a maioria parlamentar que aparentemente lhes é favorável neste assunto não é um reflexo efectivo do pensamento da maioria dos portugueses.

29 comentários:

Daniel Oliveira disse...

Há milhares de coisas que eu acho muito importantes que não quero referendar. Não há nenhuma, secundária, que eu ache que mereça um referendo nacional. Não me parece que inverter a lógica de um argumento dê sempre bom resultado.

Anónimo disse...

Meu caro amigo,

O Bacelar Gouveia é burro. Ninguém o respeita entre os seus peers.

Anónimo disse...

Caro Nuno, a legalização do casamento entre homossexuais pode ser muito útil para Gays conservadores. Os membros da ala Gay do Cachimbo poderão fazer um bom uso da lei no futuro. E olhe que esta ala já não é tão pequena como isso.Se não sabe fica a saber.
Bem sei que esta posição não é argumentativa, mas nem só de argumentos vive o homem.

Anónimo disse...

Burros somos todos nós a andarmos a perder tempo com 4 coisas:
- saber quem vai ser o líder do PSD;
- saber quando se aprova o casamento entre lésbicos e gajas que gostam de gajas;
- pensar que o Vara e o Penedos vão sofrer consequências de serem corruptos e aldrabões;
- saber se a Biblia interessa ou não a alguém ( do Caim, já sabemos que a Pilarcita gosta)

Enquanto isto, o país vai agonizando numa divida externa cujo crescimento é superior à velocidade da luz.
Por falar em luz, alegremo-nos que a máquina de Jesus não dá folgas. Somos os maiores!!

Nuno Lobo disse...

Daniel Oliveira
Mas de entre essas milhares de coisas importantes, quantas são escolhidas, precisamente porque fogem à lógica partidária, como merecedoras de liberdade de voto no Parlamento? Eu diria muito poucas.

...

Meu caro amigo, primeiro Anónimo
Partimos do princípio que o homem é burro, e então? O artigo que escreve fica à partida desqualificado? Meu caro amigo, o que não falta por estes meios é burros... e o pior é que muitos são respeitados pelos seus "peers".
(Já agora que estou com o dedo no gatilho: Juro que não percebo essa mania, que rola entre alguns círculos esquerdóides, muitas vezes dominado por mulheres, de usar expressões de língua inglesa como "peers", "it's not my cup of tea", "oh God!", "Get a life!" etc; que o JC Espada, tendo a mania da gentlemanship inglesa, goste de usar a expressão "Good Lord!", ainda compreendo, acho um pouco ridículo, verdade seja dita, mas compreendo; agora vinda de onde vem, essa mania idiomática soa-me mesmo é a coisa de mulher morena por fora mas loira por dentro.)

...

Caro segundo anónimo
O que é que você tem a ver com o facto de haver ou não haver magrittes gays? E se eu fosse gay, acrescentava ou retirava alguma coisa às minhas opiniões sobre o que quer que seja e, inclusivamente, sobre os gays ou o casamento gay? Quer que lhe diga uma coisa? Com esse seu espírito pequenino, homem decente e corajoso não é certamente. Deixe de vir aqui, pois não é bem vindo.

MRC disse...

O Prof. Jorge Bacelar Gouveia é professor universitário de Direito e só porque defende que o casamento gay deve ser objecto de referendo é apelidado de "burro" ?
São este tipo de argumentos usados pelos pró-gays para defender os seus pontos de vista ?
Começa-se a perceber as razões das suas alergias ao referendo...

Anónimo disse...

Ai a reprimenda ao segundo anónimo traz àgua no bico !
Vá lá contenção , meus senhores , não precisamos de saber os apetites e práticas sexuais de ninguèm !
Tenham calma !
RFernandes

Anónimo disse...

Do Picoito já se sabia. Agora o Nuno Lobo!! Nunca pensei tal coisa!

Anónimo disse...

Quem si ri disto tudo é o lésbico vale e almeida: ser deputado e ter a tal reformasita já lá canta. É tão certo como ele agazalhar o palhaço...

Anónimo disse...

o picoito é picolho, o lobo é um bobo e eu não me casava com nenhum deles.
Mas há uma coisa que eu não entendo, estes jovens rapazes de direita passam a vida a falar da família, são contra as uniões de facto, e depois são contra o casamento por causa da opção sexual do casal. Mas porque raio é que não fazem mais nada do que se meterem na vida dos outros, parecem umas porteiras que só lêem a Maria. Apregoam a cultura e o rigor científico mas continuam a falar da homosexualidade como uma doença. Está na hora de crescerem um bocadinho que o planeta é mesmo redondo
zé saramagos

Anónimo disse...

"Há milhares de coisas que eu acho muito importantes que não quero referendar. Não há nenhuma, secundária, que eu ache que mereça um referendo nacional. Não me parece que inverter a lógica de um argumento dê sempre bom resultado."

Não quer referendar porque sabe que vai perder! Ou seja, prefere não ouvir o povo porque não lhe dá jeito.
Coisas da democracia de esquerda jacobina, portanto.

Perplexo disse...

O Daniel Oliveira também é?
Não sabia.

Ana disse...

Nuno
Quem conduziu a situação até aqui foram os que a tentaram impor politicamente, desde o início, na AR.
Outro erro da esquerda: agarrar-se a "causas fracturantes", aliás, ter uma cultura toda ela fracturante para parecer modernaça, e colocar esta pretensão de um grupo social minoritário como uma "causa fracturante".

Ainda outro erro: com o objectivo de lhe conceder dignidade, querer inscrever uma união de natureza diferente, no contrato "casamento".
É aqui que a imposição é política com implicações sociais e é aqui que a sociedade (o grande grupo, a maioria), é inevitavelmente envolvida.

Mas não tinha de ser assim: numa democracia de qualidade as minorias têm direitos, que devem ser atendidos de forma igualitária. Só que aqui há uma clara invasão dos direitos da maioria e isso é insdmissível. Há uma alteração do contrato "casamento" que vai perder a sua razão primeira para poder englobar uma fórmula incompatível com a sua própria natureza.

E se a discussão e o debate se tornou agressivo e ofensivo, também foi da responsabilidade da esquerda e da sua cultura "fracturante".

Anónimo disse...
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Ana disse...

Nuno
Penso ter acertado no cerne do problema e aqui está a agressividade da esquerda "fracturante" no seu esplendor.
E vejo que este não é um lugar de debate sério, senão os responsáveis pelo blogue não editavam comentários ofensivos de anónimos que se refugiam no anonimato cobarde.
"Bye-bye".

MRC disse...

Os insultos de anónimos cobardes sobre esta temática mostra bem o nível dos que defendem estas causas fracturantes...
Não conseguem fazer um debate de ideias e depois enchem o peito para defender os direitos das mulheres e as "conquistas" do 25 de abril quando não observam sequer as mais elementares e básicas regras de boa educação.

Anónimo disse...

Eu sou um dos anónimos e devo dizer que não insultei ninguém. Dizer que o Prof. Bacelar Gouveia é burro não é um insulto. Na verdade é um qualificativo mensurável para quem se der ao trabalho de ler as coisas jurídicas que ele escreve. A propósito, houve quem dissesse que ele é professor universitário de direito (sim, eu sei). Sucede que ser professor de direito não é atestado de inteligência. A inteligência até pode ser certificada, mas no espaço público o que importa é a inteligência demonstrada.

Este artigo do Senhor Professor Bacelar não tem pés nem cabeça e o Daniel Oliveira desmontou-o muito bem.

Devo terminar dizer que sou contra o casamento gay e que estou de acordo com o Nuno Lobo: peer é uma palavra pretensiosa. Usarei 'colegas'. Nenhum dos colegas respeita o Prof. Bacelar Gouveia.

Anónimo disse...

A metáfora de a decisão ser tomada nas "costas dos portugueses" não me parece nada apropriada a este assunto.Tal como em tempos o PP era o partido da faca nas costas, por razões óbvias, e o MNE era o Ministério dos negócios traseiros. Parece-me uma forma de humor um pouco sórdida. O prof. Bacelar está com um humor negro...


BB

Ricardo disse...

Acho irrelevante qualquer consideração que se faça sobre a importância do assunto. Certamente há quem ache que não tem importância nenhuma assim como há concerteza pessoas para quem tem toda a importância.

Quanto ao referendo : parece-me um péssimo princípio que se comecem a referendar direitos dos cidadãos. Temo que a opinião da maioria em assuntos como os direitos dos imigrantes se possa afastar daquilo que é decente. Não me surpreenderia que a maioria dos Portugueses, em referendo, se pronunciasse a favor da pena de morte.

Se nunca se fez um referendo sobre os tratados europeus por ser um assunto "demasiado complicado", porque carga de água os Portugueses hão-de ser chamados a decidir sobre um direito meu?

Ser liberal é também perceber que a relevância da opinião da maioria termina onde a nossa liberdade começa.

E não concebo um país onde as relações afectivas e projectos de construção de vida não possam ser efectuados em liberdade.

MRC disse...

Caro Ricardo
Já reparou que esses seus argumentos também serviriam para excluír o último referendo a favor da liberalização da ivg?

MRC disse...

Quanto à inteligência demonstrada do prof. Jorge Bacelar Gouveia, aconselho-o a ler as suas obras ao invés de debitar insultos e ofensas.
Por exemplo, em matérias como liberdade religiosa ou direito da segurança, o prof. Jorge Bacelar Gouveia é considerado uma autoridade e o simples facto de ter sido convidado para monitor logo muito cedo mostra certamente que "burro" não é.

Mestre-escola disse...

Ricardo:

Não existe o termo "concerteza", sabia?
Como é que se pode pretender dar lições, seja em que matéria for, quando se desconhece o elementar ou, como ora se diz, o básico?

Carlos Medina Ribeiro disse...

Aquando do aborto, o PCP também não queria um referendo (pois receava um resultado negativo), e dizia - sem esconder as palavras - que era preciso APROVEITAR a maioria que, na altura, existia na A.R. a favor.

A propósito da regionalização, também não falta quem queira o mesmo.

-

Fica por esclarecer:

Porque é que (especialmente para o PS) o assunto é assim tão PRIORITÁRIO, mais a mais quando há poucos meses o não era?

As verdadeiras prioridades do país não são a crise económica, o défice e o desemprego?

Fado Alexandrino disse...

Se fosse preciso um argumento a favor do referendo ele está aqui.
Vinte tal comentários quando na maioria se fazem cinco ou dez.

Um post sobre este assunto em qualquer blog eleva logo as visitas, logo (não é publicidade) é preciso ouvir todos e não apenas os senhores deputados.

Nuno Lobo disse...

Cara Ana
Peço-lhe desculpa pelo comentário ofensivo que aqui encontrou. Como sabe, não fazemos moderação prévia dos comentários, convictos de que os cometadores saberão usar a liberdade que lhes concedemos com a correspondente responsabilidade. Quando assim não acontece, o que é raro, uma vez detectado o comentário despropositado, é apagado por um de nós. É o que farei de seguida. Espero, sinceramente, que nos continue a visitar e comentar, mesmo correndo o risco de encontrar aqui ou ali um comentários menos próprio.
Cumprimentos
Volte sempre
NL

Anónimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Nuno Lobo disse...

Bem, acabei de apagar outro comentário desapropriado, assinado por José Magalhães.

Para evitar tornar isto um circo de ordinarices, talvez não fosse pior atender ao conteúdo do post e deixar de lado as outras coisas. A questão é saber se deve ou não haver um referndo sobre o casamento gay, justificar a opinião e ponto final.

Ana disse...

Nuno

Agradeço-lhe a sua atenção e amabilidade em apagar o comentário ofensivo.
Só depois do primeiro impacto é que verifiquei que, de facto, os comentários não são filtrados ou moderados, e só os verificam posteriormente. Tudo bem.

Nos debates em que tenho participado, sei que me arrisco a críticas mais ou menos violentas, mas sempre se dirigiram ao assunto em questão.

Agradeço-lhe ainda o amável convite de continuar a vir debater no "Cachimbo".
Virei, com todo o gosto. Já sou vossa leitora fiel.
Cumprimentos
Ana

Fernando Gomes disse...

não concordo com o casamento gay porque acho moralmente deplorável que dois seres que sendo iguais que não se podem complementar, nem fisica ( anatómica e fisiologicamente)nem afectivamente , se casem. Se repararmos bem nas imagens que temos de casamentos homossexuais vemos claramente que nas manifestações afectivas da praxe, para a fotografia, não existe a espontaneidade natural, porque aquilo é anti-natural e não consegue disfarçar essa sua natureza deformada.
Não venham cá falar de afectos e de amor porque isso quer dizer coisa nenhuma, se não for em linha com a ordem natural das coisas é um desiquilíbrio. Também há gente que ama mais os animais do que as pessoas, são capazes de gastar uma vida, muitas vezes arriscando-a, e dinheiro, movendo influências e seja lá o que for para proteger alguma espécie de minhoca em vias de extinção quando há neste mundo crianças e adultos a morrer com subnutrição e moléstias, mas para essas pessoas o amor à minhoca é maior do que às pessoas, portanto não me venham cá com a história que se amam porque isso não quer dizer nada.
Sendo poderosos querem forçar a as leis a normativar relacionamentos que doutra forma seriam sempre considerados promíscuos, e eles não querem ser criticados porque são poderosos, os lobies.