Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2009

Diálogo, ignorância e conhecimento

Nós somos muito ignorantes. Nós queremos dialogar com os muçulmanos e não gastámos uma hora da nossa vida a perceber o que é que eles são. Quem é que em Portugal já leu o Alcorão? Se nós queremos dialogar com os mulçulmanos, nós temos de perceber o b-a-ba da sua compreensão da vida, da sua fé. Portanto, a primeira coisa é conhecer melhor.
Cardeal Patriarca

17 comentários:

Anónimo disse...

Ná, não percebo... mas então sua cardealeza é mesmo muito ignorante nas coisas do islão, como ele diz aí, ou está habilitado a fazer de conselheiro matrimonial às raparigas tolinhas e desmioladas em relação a casamentos com os muçulmanos, como ele fez< noutro lado? Explique lá isto, ó Nuno.

O que eu sei é que temos um Cardeal Patriarca todo prá-frentex, muito politicamente incorrecto e tal (parece que agora não se pode dizer "imbecil"; tem de se dizer "politicamente incorrecto").

Pedro

Anónimo disse...

Exatamente. E, percebendo melhor, fica-se a saber que a fé islâmica é muito semelhante à cristã - e, ainda mais, ao judaísmo. O Deus é o mesmo - o Deus único de Abraão (Ibrahim em árabe), que em árabe é designado Alá, mas isso é como chamar-lhe God em inglês. Os profetas do judaismo são os mesmos. Jesus (Issa em árabe) é considerado também um profeta, e um dos mais importantes por sinal. Maria é por diversas vezes referida na tradição islâmica.

Há portanto uma grande semelhança, e uma linha de descendência direta, entre as três religiões.

As três partilham também os mesmos tabus em relação ao sexo e a mesma visão desigual dos dois sexos.

Luís Lavoura

Nuno Lobo disse...

Mas qual é, exactamente, o problema que encontra nas palavras do Cardeal Patriarca? É que toda essa história do conselheiro matrimornial, do prá-fentrex e do politicamente incorrecto parece ser uma boa maneira de situar o problema no patamar de ignorância que o Cardeal critica.

Nuno Lobo disse...

Em relação ao que diz o Luís Lavoura: só com muita má fé se pode querer comparar a mundivisão que as duas religiões têm em relação às mulheres e o modo como ambas cohabitam com toda a questão da democracia, liberalismo, direitos das mulheres, direitos humanos fundamentais, etc.

Anónimo disse...

Não acho que seja com muita má fé.... basta pensarmos que até há bem pouco tempo as mulheres eram tão discriminadas nos paises Cristão como são hoje nos Islamicos.

Cristina

Nuno Lobo disse...

Está bem Cristina, está bem. Recomendo-lhe que vá viver para a Arábia com os olhos bem abertos e depois venha discutir e comparar a experiência com a sua avó. (Se não é má fé, é a tal ignorância de que fala o Cardeal Patriarca.)

Anónimo disse...

O problema com as palavras do Policarpo? De repente, consigo detectar três:

1 - Um Cardeal Patriarca não é um comentador de blog; deve ter mais cuidado com as palavras. Ou seja, nem sempre pode dizer o que pensa. Ainda por cima, dito com aquele fórmula chocarreira do "cuidado com os sarilhos". Muitos aplaudem-no por aí por ele ter sido "politicamente incorrecto". Eu acho que ele deve ser mesmo "politicamente correcto", mas deve ser por ser um tipo chato. E o Nuno, o que acha?

2 - As mulheres católicas são suficentemente adultas para decidir o seu destino.

3 - Continuo sem perceber (e o Nuno não esclareceu), como pode o Cardeal dizer que é ignorante no Islão (criticando, e muito bem, essa ignorância) e ao mesmo tempo permitir-se dar conselhos matrimoniais sobre casamentos com muçulmanos.

Pedro

Anónimo disse...

O argumento "vá viver para a Arábia" é de grande força moral e dialectica!
De rseto, o que aCristina diz (que até há bem pouco tempo as mulheres eram tão discriminadas nos paises Cristão como são hoje nos Islamicos)é perfeitamente verdade.
Aqui, na livre Lusitânia, basta recuar trinta e poucos anos para constatarmos a situação de menoridade e de "capitis diminutio" em que vivia a "outra metade do Mundo", proibida de ser juiz, diplomata e, até, de se ausentar do país sem autorização do marido; tudo perante a paternal aquiescência dos eclesiásticos irmãos na fé de Sua Eminência.
Ora, batatas...

António

Nuno Lobo disse...

Mas porque raio é que conclui que o Cardeal Patriarca ignora os assuntos do Islão? Não percebo.

Luís Cardoso disse...

Ao que parece, não são só os que criticam o Islão que o desconhecem.

Nuno Lobo disse...

Ó António, mas o que é que a Igreja tem a ver com as leis que existiam há trinta e poucos anos? Por outro lado, o que é que as leis que existiam há trinta e poucos anos têm a ver com o que se passa actualmente nos países islâmicos?

Anónimo disse...

Diz ele. E quanto aos outros pontos, Nuno?

Pedro

Anónimo disse...

Nuno Lobo, você sofre do problema de confundir todos os muçulmanos numa só unidade, quando eles são muito diferentes. Um muçulmano português (exemplo: Zeinal Bava) nada tem a ver com um muçulmano árabe a viver na Arábia.

Há diferenças radicais entre o comportamento dos muçulmanos consoante eles vivam

1) Num país de maioria muçulmano e de religião oficial islâmica (exemplo: Arábia Saudita, Paquistão)

2) Num país de maioria muçulmana mas sem religião oficial (exemplo: Bangladesh, Indonésia, Turquia)

3) Num país em que o islamismo é minoritário (exemplo: Portugal).

Não se deve, de forma nenhuma, confundir os muçulmanos nas três situações.

Luís Lavoura

Anónimo disse...

Lavoura, tu és precioso

Nuno Lobo disse...

Luís Lavoura

Concordo. Mas o que diz pode ser igualmente aplicado a todos os fenómenos. É impossível a determinação distinta de todos os subgrupos dentro de um grupo, principalmente quando se faz um discurso de 10 minutos ou se escreve um texto de 20 linhas. Daí a oportunidade de distinguir entre aqueles que têm boa ou má fé quando interpretam determinada declaração. Todas as pessoas perceberam o sentido das palavras do Cardeal Patriarca. Nem todas as pessoas tiveram boa fé na análise que fizeram.

Hoje ouvi o Pedro Adão e Silva dizer no Rádio Clube Português uma coisa em relação a este assunto que pensei escrever aqui ontem: todas as pessoas devem pensar 2 vezes antes de se casarem; 2 pessoas de professam religiões diferentes ou uma pessoas que professa uma religião e outra que não professa nenhuma devem pensar 3ou 4 vezes antes de se casarem. Nem o casamento nem a religião são fenómenos sem importância que podem ser vividos de ânimo leve, pelo menos para quem queira viver o casamento e a religião com um mínimo de seriedade (ao contrários doa ateístas dos autocarros de Londres e Barcelona que parecem estar mais interessados em "gozar" ou "desfrutar" a vida do que vivê-la com seriedade).

Anónimo disse...

Isso de meter os muçulmanos todos no mesmo saco é como dizer que os cristão são todos testemunhas de geová, que tb não aceita uma série de coisas, com a tranfusão de sangue.

Cristina

Anónimo disse...

Mas afinal o que acham relativamente a mulheres cristãs ou de outras religiões casarem com Mulçulmanos??
Excluam-se as excepções e as respostas de La Palice...

Digam qual a probabilidade de haver os tais «sarilhos» familiares e afins

Von Alldösser